sábado, 21 de novembro de 2009

Servido à Paixão

A paixão me tomou
Como quem toma Coca-Cola...
Com o prazer absoluto
De quem satisfaz a própria sede.

Bebeu do meu corpo
Todo sofrimento e angústia
E arrotou na minha cara,
Esboçando uma sátira.

Ela me devorou
Como quem come hambúrguer...
Lambuzando-se toda,
Comeu minhas dores.

Arrancou de mim
O que me castigava.
E vomitou na sarjeta
Toda minha mágoa.

Agora eu vivo cantando
As canções de Jobim.
Danço a valsa dos anjos...
A felicidade brilha em mim!

[Thom Albuquerque]

Chego Já!

Observe:
Corre no vento
O doce perfume do amor...
Corre selvagem!

Um pedaço de sonho no fim da conversa
Preenche as lacunas da falta de assunto.
Na verdade, falta de coragem
Pra dizer-te o que sinto no fundo dos sonhos.

Tanta vontade guardada no peito...
Acumulando segredos, encantos de menino.
Tanta vontade escondida aqui dentro...
Esperando um momento certo.

Desperdiçando o tempo
Em que podíamos estar juntos.

Então me questiono:
“Pra quê esperar para ir buscar a felicidade?”

Não há mais dúvidas
De que, nos teus olhos, oculto,
O paraíso me aguarda.

Estou indo, minha amada...
Contar-te meus sonhos.
Espera-me que eu chego já!

Vou numa nuvem verde...
Com esperança de encontrar
No teu rosto um sorriso
Vindo me abraçar.

[Thom Albuquerque]

Minhas Dores

Dói em mim a maldita ânsia do amanhã.
Como se o futuro fosse uma lâmina
Retalhando-me aos poucos...

Dói em mim a maldita fúria do desejo.
Como se meu corpo fosse um fantoche
Guiado por meus erros...

Dói em mim saber dos meus crimes.

Por tanto tempo tenho andado
Sem rumo, perdido, desguiado...

Dói em mim olhar no espelho
E ver um cego de nascença
Procurando soluções...

Dói em mim forçar o riso
Pra que não me julguem infeliz.
Pra que não percebam minha dor...

Dói em mim gritar ao mundo,
Alertando-o do perigo que o cerca,
E ser ignorado...

Dói em mim não poder me pendurar no arco-íres
pra observar, lá de cima,
Tudo que me escapa...

Dói em mim sentir o gosto do sal
Toda vez que me encontro
Comigo mesmo...

Dói em mim saber dos meus crimes.

Por tanto tempo tenho andado
Sem rumo, perdido, desguiado...

Dói ser pintado de aço
E ser feito de vidro...

[Thom Albuquerque]

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Só, te espero.

Vem, ó bem,
substituir a minha dor.
Vem, sei lá quem...

Tu podes ser,
no estranho do teu ser,
meu novo bem,
de verdade, ou mesmo

de amor.


Não sei.


Eu não te procuro,
nem se quer te quero...
Só te espero.
Só, te espero.

Só não venhas, bem querer,
exigir que eu goste de você.

Meu gostar,
há muito, já gastei.
Já sofri,
já me recuperei...

Agora
só espero...
Só, te espero.

[Thom Albuquerque]

Desejo mudo



Só o que posso te oferecer
é a frieza dos meus atos,
ó lua triste do outono.

Vê o meu sorriso
e como ele é fingido?

É só o que posso te oferecer
dentro de tanta distância...
O meu duro desprezo.

Noites e noites perdido
na tua luz estive.
Noites e noites
buscando sombras.

Só o que posso te oferecer
é o meu desdém
te desejando mudo,
ó lua triste do outono.

Vê o meu sorriso
e como ele é fingido?

Eu sou um grito vestido de preto
no negro céu noturno.
Nú... Na frieza dos meus atos.

[Thom Albuquerque]

Bem no brilho, escuridão.

Dentro do meu olho tem um lírio
de delírio... Alusão à ilusão.
Dentro do meu olho tem espinhos
num confuso desalinho
sobre o lírio, ali, sozinho.

Dentro do meu olho o desespero

destruindo o olho inteiro,
tal e qual fosse paixão.

Dentro do meu olho um violão

num suspiro bem baixinho,
sussurrando uma canção.

Dentro do meu olho um coração

num pulsar agoniado,
sufocado... Ameaçado
pelo orgulho à contra-mão.

Dentro do meu olho um sentimento,
sentinela fora e dentro,
paraíso e firmamento...
E, bem no brilho, escuridão.

[Thom Albuquerque]


Helena

Ela tem o cheiro dos meus sonhos
e o desejo que renasce a cada noite.
Nela, sou quem sou,
amante do amor.


Com o mesmo toque suave,
qual o de um pianista abandonado.
O mesmo olhar convidativo de um vencedor...
O mesmo esplendor...
Imitando o egoísmo de um colecionador.

Ela é a lua do amanhecer,

é o sol da meia-noite,
é o encontro das águas,
é o motivo do meu pranto
e do meu sorriso.

[Thom Albuquerque]

Dentro do sol

Só há flores mortas no jardim da agonia...
É o que dizem os anjos que lutam pelo dia
em que irão ver alguma flor viva em meu coração.

Só há frutos podres na árvore da apatia.
É o que dizem os anjos que lutam pelo dia
em que irão ver algum sentimento em meus olhos.

Ando tão triste,
que nem a lua me consola...
Ando tão só, mas tão destruidor,
que nem o fogo me apavóra.

[Thom Albuquerque]

domingo, 18 de outubro de 2009

The ground of suicide.

I can't stop the rain
running through my eyes.
I'm so lonely... So lonely...
Crying all the time.

Please come back to me,
back to our home.
You're my only love, you're my right to live.
Please come back to me.
~
O nosso amor é uma estrela decadente
que não sente mais,
não sonha mais,
não brilha mais.

[Thom Albuquerque]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Delírios Embriagados.

Morde-me.
Arranca de mim um pedaço de fúria.
Tira-me tudo, mas deixa em mim
minha luxúria.

Meu fardo de sina,
minha lamúria.

Bebe-me.
Suga meu corpo do nojo ao desejo.
Lambe o veneno e cospe o remédio.
Antes que o mundo apodreça

num triste lampejo,
num surto de festa.

Cura-me.
Nega-me o corte do olho divino.
Pobre menino descalço pedindo
a felicidade num copo de vidro.

Conto de fadas num ponto
que finda toda conversa.

Beija-me.
Faz com que o vento adormeça.
Faz com que o sol anoiteça
num sono profundo.

O centro de tudo
no meio da testa.

[Thom Albuquerque]


[imagem: Drunken Silenus Rubens]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lágrimas de Catarina

Lá vem o rio,
vem matar meu povo.
Vem como flecha,
feito bicho solto.


Lá vem o fogo
do juízo santo.


Lá vem o pranto

inundar meu canto.

Vem, estranho,
venha ver meu sofrimento,
vem ver meu lamento,
doce passa-tempo....

Vem ver
meu lar
no fundo do mar.


[Thom Albuquerque. Em tributo aos mortos e desabrigados na tragédia natural ocorrida este ano em Santa Catarina]


sábado, 19 de setembro de 2009

Por Narciso.

Dobra tuas pálpebras de Narciso...
(Disse-me o espelho)
Não vê que não mudas?
Tens sempre a mesma cara de vencido,
mesmo que venças.

Sempre o mesmo olhar mendigo.
Sempre este riso enfadonho... Ator.

Tira do teu rosto esse pesar de bandido.
Finge uma nova postura,
uma nova personagem qualquer...

Ou,
se preferires,
sê tu mesmo
personagem da tua história.

Vira a página.

Que o autor possa, dessa vez,
parir um mocinho.
Ou, quem sabe, um herói.

Vai,
transforma em troféu toda essa dor
expressa no teu rosto.

Na alvorada do teu ser
há um campo florido
germinando um novo amanhecer.

[Thom Albuquerque]

Lua de Féu.

"Nada jamais superou o êxtase daquele primeiro despertar.
Eu podia ser Adão com o gosto da maçã ainda fresco na boca.
Uma forma feminina incorporava toda a beleza do mundo...
E eu soube, com cega certeza, que era isso mesmo."

[Do filme "Lua de féu", de Roman Polanski].

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Crianças suicidas.

Despencam dos meus olhos
rios oriundos do mal.
Do sal, o gosto do meu desgosto.
No meu sorriso, um contraposto.

Despencam dos meus olhos

estacas de marfim.
Do fim brotaram flores
ensanguentadas, desamores.

Atadas,

minhas mãos,
cortadas.

Despencam dos meus olhos

crianças suicidas.
Da vida, cobaias... Lacaias.

Espúrios desatinos

controlam vidas de meninos
como eu, assim,
insanos.

[Thom Albuquerque]

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sentidos.

Há uma bolha que cresce
no centro do mundo
numa espiral violenta
de destruição.

Vem corroendo raízes
num fascínio mudo.
A cada dia que passa
uma nova erosão.

Esteve, durante milênios,
num sono profundo.
Agora vem, despertada
por tal sensação.

Bocas seladas num beijo.
Desejo desnudo.
Bomba-relógio implodindo
no meu coração.

[Thom Albuquerque]


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Por entre tuas pernas

O meu desejo viaja sobre o teu corpo.
Reflete-se em teus olhos.
Bebe da tua saliva.

Repousa sobre o teu colo,
cama de fogo.
Teus seios,
nuvens de algodão doce.

O meu desejo te devora por inteira.
Te respira e te sufoca.
Te desperta e te esgota.

Nasce no teu sorriso
e por ele morre.
Esconde-se por entre tuas pernas
e por elas escorre.

[Thom Albuquerque]


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Corpos suados.

Pra lá e pra cá passam os namorados.
Mãos carinhosas passam uns nos outros.
Bocas em toques, gosto marcado.
Pra lá e pra cá línguas e lábios.

Pensei que fosse amor,
mas eram apenas corpos suados.

Quanto desejo,
dizia Nietzsche, pelo desejo.
Mais que pelo desejado.

[Thom Albuquerque]

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Súbito fim.

Pare de me olhar como quem atenta ao fim.
Um súbito fim é o que todos desejamos.
Já que loucura seria desejar a eternidade,
só nos resta fantasiar tais fins.

Paira sobre mim, brisa mortal,
com seu cajado assassino.
Paira sobre mim, velho menino, infeliz
infelicidade imortal.

Um súbito fim é o que todos desejamos.
Isso também fala sobre mim.

Pragas, pestes, matadores...
Da morte senhores são, devastadores.
Da morte senhores sãos, criadores.
Da morte senhores vãos, pecadores.

Desejo do meu corpo brota sem espinhos.
Os tabus do meu caminho
caço, açoito, mato, como...

Luxúria há em mim e me escorre
pelos dedos pelos tenho de horror.

Suor que mata
a sede mata
o amor... Matou.

Teu toque faz de mim instrumento
do teu ardor com meu sabor fora e dentro.
Meu toque faz de ti pensamento
selvagem passa na mente sedento.

Do chão nasceu nosso altar
vai voar contra o vento.

No céu um gosto de língua vive
e vai lapidando, insano libido.
Súbito fim vai chegar.

[Thom Albuquerque]

domingo, 16 de agosto de 2009

Corsário.

Meu coração tropical está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E à voz vibra e a mão escreve: mar
Bendita lâmina grave que fere a parede e traz

As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roserais nova granada de espanha
Por você eu teu corsário preso
Vou partir na geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar
Me arrastar até o mar procurar o mar

Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar
Nova granada de espanha
E as rosas partindo o ar

[João Bosco e Aldir Blanc]

Anjo de neve.

Caídas aos meus pés
tristes marcas da solidão.
Nações pobres.
Maçãs podres.

Apenas eu
e o que me há de ruim.

Eu sofro a perda de um amor
que se foi direto à distante morada
do inexistencial.

Suas asas de anjo brancas,
manchadas de desejo,
desfizeram-se diante de mim
pra que eu pudesse entender
a razão de tal fim.

Mas,
e quanto a mim,
por que haver?

Eu sofro a perda de um alguém
que não morreu mas já não vive.
Perdeu-se no mar
entre uma lágrima
e outra...

Seus olhos de fogo,
em faíscas de dor,
tombaram diante de mim
pra que eu pudesse me culpar

Por me iludir que
tão branca neve
ao fogo não cederia.

Mas,
e quanto a mim,
pra quê haver?

Eu sofro a perda de um lar
que nunca me habitou.

[Thom Albuquerque]


Corpos delibados.

Eu não vivo.
Eu morro todos os dias
de tristes alegrias,
alegrias frias,
falsas alegrias,
alegorias.

Eu não vivo.
Eu morro todos os dias
de tenras nostalgias.

De noite
meus olhos são chuva

sofrida e turva.

Fechados são
de dia.

Eu não canto.
Meu canto tornou-se pranto.
Troquei os acordes dos anjos

por desencantos
sádicos, francos.


Eu não luto.

Já não me cabem lutos.
Delusos deliberados.
Corpos delibados.

Pandemias de um ser apenas.

[Thom Albuquerque]

Por toda eternidade.

"Devemos morrer, mas na hora certa. A morte só não é aterrorizante quando a vida já se consumou.
Já consumou a sua? (...) Aproveitou, ou deixou-se levar por ela?
Você está fora da sua vida... Sofrendo... Por uma vida que nunca teve?
Não posso lhe dizer como viver de outra forma. Viveria segundo o plano de outra pessoa. Mas talvez possa lhe dar um presente. Eu poderia lhe dar um pensamento.
- E se um demônio lhe dissesse que esta vida... Da forma como vive, e viveu no passado... Você teria de vivê-la de novo porém inúmeras vezes mais. Não haverá nada novo nela. Cada dor, cada alegria. cada coisa minúscula ou grandiosa retornaria para você, a mesma sucessão, a mesma sequência várias vezes, como uma ampulheta do tempo. Imagine o infinito. Considere a possibilidade de que cada ato que escolher, escolherá para sempre. Então, toda vida não-vivida permaneceria dentro de você. Não-vivida. Por toda eternidade."

[Nietzsche]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Os ombros de uma mulher, segundo o diabo...

"Os ombros de uma mulher são a linha de frente do seu encanto. E seu pescoço, se ela está viva, tem todo o mistério de uma fronteira. Uma terra de ninguém nessa guerra entre a mente e o corpo."

[Diabo, personagem de Al Pacino, no filme O Advogado do Diabo]

Lenda em vida

"O homem que tem uma lenda em vida é conduzindo por sua lenda. Começa com ingenuidade, inocência e termina com embaraços de todo tipo. E para suprir o poder divino que lhe falta... livra-se dos embaraços por meios desesperados."

[Vitor Hugo]

Personalidade Einstein

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Por que assim ele se tornará uma máquina humana, e não uma personalidade".


[Palavras de Albert Einstein]


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Malabaristas do sinal vermelho

Daqui de cima da laje
Se vê a cidade
Como quem vê por um vidro
O que escapa da mão

Uns exilados de um lado
Da realidade
Outros reféns sem resgate
Da própria tensão

Quando de noite as pupilas
Da pedra dilatam
Os anjos partem armados
Em bondes do mal

Penso naqueles que rezam
E nesses que matam
Deus e o diabo disputam
A terra do sal

Penso nos malabaristas
Do sinal vermelho
Que nos vidros fechados dos carros
Descobrem quem são

Uns, justiceiros, reclamam
O seu quinhão
Outros pagam com a vida
Sua porção

Todos são excluídos
Na grande cidade

[Composição de João Bosco & Francisco Bosco]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Indústria da fé.

Centro de poder aquisitivo
Antro de ilusões apoteóticas
Padres por trás de fraudes
Pastores estupradores.

Pague o que puder
ou o que for preciso
pra que a sua vida
continue sendo controlada.

Pague o que puder
ou o que for preciso
pra que sua mente
continue sendo enganada.

Enriqueça ao seu senhor
como sinal de sua fé

Enriqueça ao seu senhor
com suas cédulas em louvor.

[Thom Albuquerque]

Lógica

O que vai ser
se eu não souber
passar à frente a mão
nem reabrir estradas?

Vou me esconder atrás da luta prostituta
e argumentar contra a paz
vou escapar pela luzinha da fechadura
e levar todos os segredos

Vou deitar com a sorte
conhecer seu corpo
e abandoná-la na primeira esquina
cheia de filhos

Vou apertar o dedo no botão
e fazer tudo virar fumaça
mas não vou ter tempo
de chorar
pelos desaparecidos.

[Raimundo Sodré]

Yeat


"Voando e voando no círculo que se alarga
o falcão não pode ouvir o falcoeiro.
Coisas que se desmancham...
O centro não pode sustentar-se.
Mera anarquia está à solta pelo mundo.
A maré, manchada de sangue,
está à solta.
E em todo lugar,
a cerimônia da inocência está afogada."

[Yeat]

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eterno amor.

"(...) Quando Mathilde e Manech fizeram amor pela primeira vez ele adormeceu com a mão repousando em seu seio. Cada pontada em seu ferimento é como o coração de Mathilde batendo. E cada pulsação aproxima-a dele. Se Manech estivesse morto, Mathilde saberia. Desde que recebeu a notificação de morte apegou-se teimosamente a sua intuição como a um fio delicado. Ela nunca desanima. Além disso, Mathilde tem um temperamento otimista. Ela diz que, se o fio não a levar de volta ao amante, tudo bem... Ela poderá usá-lo para se inforcar."

[do filme "Eterno Amor", de Jean-Pierre Jeunet].

terça-feira, 28 de julho de 2009

Em cada um de nós...

"Existe em cada um de nós tanta beleza e tanta abominação. Nenhum homem está isento."

[Palavras do Abade, personagem de Joaquin Phoenix no filme Os Contos Proibidos do MarquÊs de Sade. Filme que retrata a imortalidade do artista em si. Ótimo!]

Mórbido sentimento.

Um dia seremos queimados vivos como penitência pela nossa fúnebre afeição. E, se a humanidade não nos homenagear com o prazer da morte, nos envenenaremos, travando assim nossa própria glorificação sepúlcra.
Nos amaremos eternamente em nossa sepultura nupcial.
Nossos corpos sem vida apodrecerão juntos por todo o sempre.
Nos deleitaremos com quem nos subestimou.
Nossas caveiras mergulhadas em sangue inimigo brindarão infinitamente nosso mórbido sentimento.

[Thom Albuquerque]

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Palavras de um líder.

"Quando fico desesperado eu me lembro de que, em toda a história, a verdade e o amor sempre triunfaram. Houve tiranos e assassinos que pareciam invencíveis durante algum tempo, mas, no final, eles sempre caem. Pense nisso. Sempre."

[M. K. Gandhi. Citado no filme Gandhi, com Ben Kingsley]

Resistência civil.

"A força da resistência civil é provocar reação. Vamos continuar a provocar até que reajam ou mudem a lei. Eles não controlam. Nós controlamos. Esta é a força da resistência civil."

[M. K. Gandhi].




Poder.

"Poder não é um distintivo e nem uma arma. Poder é mentir. Mentir muito e fazer o mundo todo ficar do seu lado. Quando todos crêem em algo que no fundo sabem que é mentira, você os conquistou."

[Do filme Sin City, obra de Frank Miller].




Não canso de assistir esse filme!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Solidão

"Descobri que a solidão é a dor física mais difícil de suportar. Que se irradia pelo corpo inteiro. Que não pode ser isolada numa só parte."

[Billy Hayes, Personagem de Brad Davis no filme "Midnight Express", do diretor Alan Parker].




sexta-feira, 3 de julho de 2009

Só porque eu te amo

Quando lembro que existo,
mesmo que por um surto,
é quando sei que te amo.

Quando estou só,
mesmo que por entre multidões esteja,
é quando sei que te amo.

Quando amanheço,
mesmo sem ter anoitecido,
é quando sei que te amo.

Quando me orgulho,
mesmo por sentir-me arrependido,
é quando sei que te amo.

Quando respiro,
mesmo que fôlego me falte,
é quando sei que te amo.

Quando nos beijamos,
mesmo que em pensamento seja,
é quando sei que te amo.

Quando estamos juntos,
mesmo estando distantes,
é quando sei que te amo.

E se hoje,
mesmo que em meio a prantos,
a felicidade me habita,

é só porque eu te amo!

[Thom Albuquerque]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O que eu vou dizer não deve agradar a ninguém...

... (...) A nossa história é o resultado do que fazemos atos. Se houver historiadores daqui a 50 ou 100 anos (...) haverá provas em preto-e-branco e em cores da decadência, alienação e falta de cobertura da realidade que vivemos. (...). Somos inclinados a evitar informações desagradáveis e perturbadoras. A nossa mídia reflete essa atitude. Mas, exceto se esquecer os lucros e reconhecer que a televisão está sendo usada para distrair, enganar, entreter e nos isolar... Então a tevê e os que a patrocinam, assistem e que nela trabalham, terão uma visão bem diferente, mas tarde demais.

[Edward R. Murrow, personagem do filme "Good night and good luck", de Geoge Clooney].


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Me deixe te contar algo sobre o amor...

Me deixe te contar algo sobre o amor.
Ele tem um apetite voraz.
Devora tudo: Amizade, família...
Me delicia tanto quanto me devora.

Mas tem uma coisa,
se você cuidar direito...
Pode ser maravilhoso,
e é o que nós temos quando alguém acredita em você,
você pode fazer qualquer coisa.
E, se você acredita nesse alguém,
o mundo que se cuide!
Ninguém pode te parar.
Ninguém, nunca!

[Arnie, personágem de Keith Gordon, no filme Christine, de John Carpenter, 1983].



quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dance with me.

Toca-me então, como o tempo toca a ira...
Lava-me em tua saliva...
Corre tuas mãos sobre o meu corpo de féu e veneno...

Bébe-me.
Mata a tua sede,
e, antes de ir embora rumo a tua nuvem,
conceda às nossas línguas
uma ultima e libidinosa dança.

[Thom Albuquerque]

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ao Inverso.

Não te amo mais!
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Não foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esquecí.
E jamais usarei a frase:
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais.

[Clarice Lispector].

Agora leia novamente de baixo pra cima.


...

"Disse então, o criador, à sua mais perfeita invenção: E, quando os homens duvidarem da sua capacidade intelectual, faça-os seus escravos sexuais."

[Thom Albuquerque].

Só pra discontrair...


Foto: Jessica Alba, no filme Sin City.

Vamos esperar Papai Noel este ano!!!

"O que me impressiona na mitologia católica é não só a sua qualidade Kitsch, mas também a falta de vergonha com que essa gente fabrica as coisas no andar da carruagem. É tudo despudoradamente inventado."

[Richard Dawkins, Biólogo inglês, no livro "The God Delusion"].

"Nem é preciso dizer que nenhum dos eventos repulsivos e desordenados que o Êxodo narra aconteceu. Não houve fuga do Egito, nem peregrinação pelo deserto, e nem a conquista dramática da terra prometida - (...) Os horrores e crueldades e loucuras do velho testamento. E quem - a não ser por sacerdotes antigos que exercem o poder através do método consagrado da imposição do terror - poderia desejar que esse novelo emaranhado de fábulas fosse verdadeiro?"

[Christopher Hitchens, Jornalista americano, no livro "God is Not Great"].

Millôr...

"Uma pessoa com poucos dados culturais pode ser interessantíssima, enquanto uma pessoa cheia de informações geralmente é uma chata que despeja tudo o que tem na cabeça sem qualquer formulação - processamento - pessoal."

[Millôr Fernandes, Escritor].


Mário...

"Suave preguiça, que do mal-querer e de tolices mil ao abrigo nos põe...
Por causa tua, quantas más ações deixei de cometer!"

[Mário Quintana (1906-1994), Poéta brasileiro].

Entre o meu peito e o teu há um vácuo...

Aqui estou, mais uma vez...
No âmago dos meus erros,
No meu desconsolo, como um tolo.

Contra meus tantos eus tenho lutado...
Perdido tenho andado,
Por pensamentos alado, descontentado.

Vivendo por quem ser ser alguém,
temendo ninguém,
dor sem um bem,

Aqui estou,
não por escolha,
por consequência.

[Thom Albuquerque].


Balancear Farra|Trabalho...

"Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que divertir-se não encontrará nas suas distrações nem prazer nem tranquilidade."

[Eugène Delacroix (1798-1863), Pintor francês].

Os tribunais que nos julgam...

"Quatro tribunais nos julgam e nos condenam neste mundo: O da Natureza, o das Leis, o da Própria Consciência e do da Opinião Pública; Podemos escapar de algum mas não de todos."

[Mariano da Fonseca, Marquês de Maricá (1773-1848), Político carioca].

O perigo contido na verdade...

"As verdades sustentadas por motivos irracionais podem ser mais nocivas do que os erros bem pensados."

[Thomas Henry Huxley (1825-1895), Biólogo, naturista e escritor inglês]


Liberdade da palavra, por Karl Börne.

"Os regimes que reprimem a liberdade da palavra por se incomodarem com a verdade que ela difunde fazem como as crianças, que fecham os olhos para não serem vistas."

[Karl Ludwig Börne (1786-1837), Jornalista e escritor alemão].

Sun Tzu. Tática de guerra.

"Subjugar o exército inimigo sem lutar é o verdadeiro ápice da excelência. A estratégia para empregar o exército não é confiar em que o inimigo não virá, mas ter em nossas mãos os meios de esperá-lo. Não confiar em que ele não atacará, mas termos nós uma posição inatacável. Quando alguém excele na defesa, o inimigo não sabe onde atacar. Se não quero travar combate, mesmo que eu simplesmente desenhe uma linha no chão e a defenda, ele não conseguirá fazer-me combater, poque nós frustraremos seus movimentos."

[Sun Tzu, em "A Arte da Guerra"].

Adapte essa tática à sua vida.



Cansado

... Eis a minha mais perfeita definição.
Cansado de olhar sempre pras mesmas caras, de ter que aceitar que sempre pisem em mim (como se eu fosse um aglomerado porco de merda canina estacado bem no meio de uma rua sem vida, atrapalhando a vida de quem por mim passar), de olhar ao redor e enxergar apenas máscaras escondendo rostos envergonhados... Nínguém diz o que é, ninguém mostra como ou o quê realmente pensa... Ou será que ninguém sabe o que realmente quer?
Covardes, pérfidos, alienados...

Cansado!!!"

[Thom Albuquerque]

Vinícius de Moraes...

"O amor que constrói para a eternidade é o amor paixão, o mais precário, o mais perigoso, certamente o mais doloroso. Esse amor é o único que tem a dimensão do infinito."

[Vinícius de Moraes (1923-1980), Poeta e diplomata carioca].

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Respeite-me ou eu te espanco"... O triste fardo do radicalismo moral.

Eu sempre disse: "Respeito exigido = Respeito inexistente".

Como é que neguinho que enche o filho de porrada pode esperar outra coisa além de desrespeito?
Aí fulano diz: "Vai nessa... Filho meu eu educo é na peia mesmo e ai dele que não obedeça!"
Ok, eu admito que obediência pode até rolar... Mas daí dizer que teu filho te respeita só porque você o espanca é o mesmo que acreditar em sací e mula-sem-cabeça...

Tem um livro chamado "O Monge e o Executivo", de James C. Hunter, que fala sobre uma coisinha chamada "Liderança"... O livro é ótimo pra neguinho que pensa que as pessoas o respeitam só porque ele as ameaça... Dêem uma lida [ou duas].

Quando eu olho pra minha filha [Gabriela, dois anos] eu não consigo nem se quer me imaginar dando uns tabefes nela pra "educar"... Mas, valá. Tem gente que tem seus filhos como bens tão preciosos a ponto de simplesmente socá-los dentro de uma sacola e lançá-los ao lixo.

x.x.x.

Você adquire respeito respeitando, ô mané!!!

[Thom Albuquerque]

sábado, 30 de maio de 2009

Tua Ausência

Anoiteceu dentro de mim,
e o luar não terá fim.

Bem que eu queria poder sorrir,
mas eu não sei fingir.
Bem que eu queria viver de amor,
e não morrer de amor por ti.

Escureceu, meu coração,
e no ar só há desolação.

Bem que eu queria recomeçar,
mas só existe um fim.
Bem que eu queria poder sonhar,
mas como vou mentir pra mim?

E, agora que aceitei minha sentença
de viver essa distância
e sofrer a tua ausência...

Bem me faria morrer de amor,
já que não vou viver pra ti.

[Thom Albuquerque]

Amor-paixão

Toda essa tristeza acumulada em meu peito...
Meu coração não suporta mais sofrer.
Dona dos desejos, meus desejos vão morrer de saudade,
quanta falta de você!

Ando louco, tonto, alucinado,
completamente apaixonado...
não consigo mais pensar em mim.

Ando de mãos-dadas com a saudade,
rezo à felicidade...
Quero meu bem sempre aqui!!!

[Thom Albuquerque]

Fakes

"Alguns amigos são verdadeiros, outros são porcos fofoqueiros...
como diferenciá-los? é fácil...
Confie neles e aguarde a decepção."

[Thom Albuquerque]

terça-feira, 12 de maio de 2009

Vítimas do sistema

Travam suas guerras em busca de poder,
liquidando inocentes.
Corrompendo a mente de gente descente
pra matar seus descendentes.

Vivem nas sombras de seus ancestrais
e matam nações pelos seus ideais.
O mundo agoniza o mesmo dilema:
morte, doença e miséria em cena.

Vítimas do sistema,
banidos do poder,
exilados do comando.

O mundo inteiro sofre consequências
da tirania de "um único louco".
Se milhões de mortes não são evidências,
espere até enterrarem o seu corpo,

o da sua família
e de todo o seu povo!

Vítimas do sistema,
banidos do poder,
exilados do comando.

[Thom Albuquerque]

sábado, 2 de maio de 2009

Ímpio à salvação.



Eu queria tanto que existisse um Deus,
e que fosse verdade todo esse folclore.
Que eu pudesse olhar pro alto e reclamar minha ânsia
com fé de que um dia obteria ajuda,

de um ser celestial,
de alguém supremo...

Queria poder me sentir protegido
da mesma forma que me sinto ameaçado.

Queria poder esperar a morte,
como uma libertação para a eternidade,
e não temê-la,
como um surto de inexistência.

Queria poder sonhar,
com esperanças de realizar.
Virar espírito de luz,
envez de carne apodrecida.

[Thom Albuquerque]

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lamento compulsivo.

Sobre o meu corpo um cheiro de paixão.
Sob meus olhos secos, solidão.
Pela minha vida, um rastro de ilusão,
e um imenso vazio em minhas mãos.

Mas, o que dizer do amor,
se dele somos sombras?

Já não tenho segredos pra contar,
já não sinto vontade de matar
nenhum desejo, nenhuma obsessão.
Já não me importa mais meu coração.

Mas, o que dizer da dor,
se dela somos servos?

Nenhuma luz me guia,
nenhuma estrela me alumia.
Sou um pedaço de nada
em um nada absoluto.

Sou uma estrada esquecida
em direção a um abismo.
Sou um desastre, uma catástrofe.
Eu sou a escória do mundo.

[Thom Albuquerque]

Música [banalização 2000]

Eu, realmente, gostaria se todos tivessem a mesma visão que eu tenho sobre música... Não o mesmo gosto, apenas o mesmo censo do ridículo.
Eu me orgulho tanto da capacidade musical do brasileiro quanto me envergonho da sua incapacidade de enxergar o seu talento.
É assombroso ver a forma com que a mídia vem destruindo a reputação musical deste país. A mesma mídia, que nos presenteava com festivais com alto nível de musicalidade há algumas décadas, agora, nos ofende divulgando a vulgaridade de letras com rimas pobres que vêm desde o funk carioca ao Hip-Hop americano.
Aonde foram os fãs de Toquinho e Vinícius de Moraes? E os True-Headbangers, Fanático-alucinados, adéptos do mais puro Rock'n Roll? Por que seus filhos agora rebolam ao som de aparelhagens altomotivas e suas filhas exibem-se em trajes inacabados, como vadias procurando um traficante para bancar seus vícios???
Música é caráter. Não se pode banalizar uma arte tão bela!

[Thom Albuquerque]

Sobre como temos vivido...

"É crime tentar livrar os meus ouvidos da música ruim que assola o mundo? Tentar me satisfazer com um prato de comida apenas, é idiotice? Seria asneira tentar reerguer-me tombo após tombo se continuo apto a uma nova queda? Tentar enxergar da vida tão somente o que me é maravilhoso seria descaso para com os meus inúmeros problemas?
Veja só, você... A vida que eu escolhi...
Prefiro ir de encontro ao perigo. Prefiro me demitir do que ser demitido. Não quero vegetar num sofá, como um derrotado. Prefiro me viciar do que ser viciado."

[Thom Albuquerque]