segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Só, te espero.

Vem, ó bem,
substituir a minha dor.
Vem, sei lá quem...

Tu podes ser,
no estranho do teu ser,
meu novo bem,
de verdade, ou mesmo

de amor.


Não sei.


Eu não te procuro,
nem se quer te quero...
Só te espero.
Só, te espero.

Só não venhas, bem querer,
exigir que eu goste de você.

Meu gostar,
há muito, já gastei.
Já sofri,
já me recuperei...

Agora
só espero...
Só, te espero.

[Thom Albuquerque]

Desejo mudo



Só o que posso te oferecer
é a frieza dos meus atos,
ó lua triste do outono.

Vê o meu sorriso
e como ele é fingido?

É só o que posso te oferecer
dentro de tanta distância...
O meu duro desprezo.

Noites e noites perdido
na tua luz estive.
Noites e noites
buscando sombras.

Só o que posso te oferecer
é o meu desdém
te desejando mudo,
ó lua triste do outono.

Vê o meu sorriso
e como ele é fingido?

Eu sou um grito vestido de preto
no negro céu noturno.
Nú... Na frieza dos meus atos.

[Thom Albuquerque]

Bem no brilho, escuridão.

Dentro do meu olho tem um lírio
de delírio... Alusão à ilusão.
Dentro do meu olho tem espinhos
num confuso desalinho
sobre o lírio, ali, sozinho.

Dentro do meu olho o desespero

destruindo o olho inteiro,
tal e qual fosse paixão.

Dentro do meu olho um violão

num suspiro bem baixinho,
sussurrando uma canção.

Dentro do meu olho um coração

num pulsar agoniado,
sufocado... Ameaçado
pelo orgulho à contra-mão.

Dentro do meu olho um sentimento,
sentinela fora e dentro,
paraíso e firmamento...
E, bem no brilho, escuridão.

[Thom Albuquerque]


Helena

Ela tem o cheiro dos meus sonhos
e o desejo que renasce a cada noite.
Nela, sou quem sou,
amante do amor.


Com o mesmo toque suave,
qual o de um pianista abandonado.
O mesmo olhar convidativo de um vencedor...
O mesmo esplendor...
Imitando o egoísmo de um colecionador.

Ela é a lua do amanhecer,

é o sol da meia-noite,
é o encontro das águas,
é o motivo do meu pranto
e do meu sorriso.

[Thom Albuquerque]

Dentro do sol

Só há flores mortas no jardim da agonia...
É o que dizem os anjos que lutam pelo dia
em que irão ver alguma flor viva em meu coração.

Só há frutos podres na árvore da apatia.
É o que dizem os anjos que lutam pelo dia
em que irão ver algum sentimento em meus olhos.

Ando tão triste,
que nem a lua me consola...
Ando tão só, mas tão destruidor,
que nem o fogo me apavóra.

[Thom Albuquerque]

domingo, 18 de outubro de 2009

The ground of suicide.

I can't stop the rain
running through my eyes.
I'm so lonely... So lonely...
Crying all the time.

Please come back to me,
back to our home.
You're my only love, you're my right to live.
Please come back to me.
~
O nosso amor é uma estrela decadente
que não sente mais,
não sonha mais,
não brilha mais.

[Thom Albuquerque]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Delírios Embriagados.

Morde-me.
Arranca de mim um pedaço de fúria.
Tira-me tudo, mas deixa em mim
minha luxúria.

Meu fardo de sina,
minha lamúria.

Bebe-me.
Suga meu corpo do nojo ao desejo.
Lambe o veneno e cospe o remédio.
Antes que o mundo apodreça

num triste lampejo,
num surto de festa.

Cura-me.
Nega-me o corte do olho divino.
Pobre menino descalço pedindo
a felicidade num copo de vidro.

Conto de fadas num ponto
que finda toda conversa.

Beija-me.
Faz com que o vento adormeça.
Faz com que o sol anoiteça
num sono profundo.

O centro de tudo
no meio da testa.

[Thom Albuquerque]


[imagem: Drunken Silenus Rubens]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lágrimas de Catarina

Lá vem o rio,
vem matar meu povo.
Vem como flecha,
feito bicho solto.


Lá vem o fogo
do juízo santo.


Lá vem o pranto

inundar meu canto.

Vem, estranho,
venha ver meu sofrimento,
vem ver meu lamento,
doce passa-tempo....

Vem ver
meu lar
no fundo do mar.


[Thom Albuquerque. Em tributo aos mortos e desabrigados na tragédia natural ocorrida este ano em Santa Catarina]