sábado, 21 de novembro de 2009

Servido à Paixão

A paixão me tomou
Como quem toma Coca-Cola...
Com o prazer absoluto
De quem satisfaz a própria sede.

Bebeu do meu corpo
Todo sofrimento e angústia
E arrotou na minha cara,
Esboçando uma sátira.

Ela me devorou
Como quem come hambúrguer...
Lambuzando-se toda,
Comeu minhas dores.

Arrancou de mim
O que me castigava.
E vomitou na sarjeta
Toda minha mágoa.

Agora eu vivo cantando
As canções de Jobim.
Danço a valsa dos anjos...
A felicidade brilha em mim!

[Thom Albuquerque]

Chego Já!

Observe:
Corre no vento
O doce perfume do amor...
Corre selvagem!

Um pedaço de sonho no fim da conversa
Preenche as lacunas da falta de assunto.
Na verdade, falta de coragem
Pra dizer-te o que sinto no fundo dos sonhos.

Tanta vontade guardada no peito...
Acumulando segredos, encantos de menino.
Tanta vontade escondida aqui dentro...
Esperando um momento certo.

Desperdiçando o tempo
Em que podíamos estar juntos.

Então me questiono:
“Pra quê esperar para ir buscar a felicidade?”

Não há mais dúvidas
De que, nos teus olhos, oculto,
O paraíso me aguarda.

Estou indo, minha amada...
Contar-te meus sonhos.
Espera-me que eu chego já!

Vou numa nuvem verde...
Com esperança de encontrar
No teu rosto um sorriso
Vindo me abraçar.

[Thom Albuquerque]

Minhas Dores

Dói em mim a maldita ânsia do amanhã.
Como se o futuro fosse uma lâmina
Retalhando-me aos poucos...

Dói em mim a maldita fúria do desejo.
Como se meu corpo fosse um fantoche
Guiado por meus erros...

Dói em mim saber dos meus crimes.

Por tanto tempo tenho andado
Sem rumo, perdido, desguiado...

Dói em mim olhar no espelho
E ver um cego de nascença
Procurando soluções...

Dói em mim forçar o riso
Pra que não me julguem infeliz.
Pra que não percebam minha dor...

Dói em mim gritar ao mundo,
Alertando-o do perigo que o cerca,
E ser ignorado...

Dói em mim não poder me pendurar no arco-íres
pra observar, lá de cima,
Tudo que me escapa...

Dói em mim sentir o gosto do sal
Toda vez que me encontro
Comigo mesmo...

Dói em mim saber dos meus crimes.

Por tanto tempo tenho andado
Sem rumo, perdido, desguiado...

Dói ser pintado de aço
E ser feito de vidro...

[Thom Albuquerque]