quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cântico dos abandonados.

Esta é uma homenagem aos desprovidos
de sonhos, de amor, de vontade...

Ąos tristes insensatos, estes
que choram as dores dos outros.
Largados pelo próprio desleixo...

Quão tristes os insensatos!

Salve as almas que rumam
Permanecendo estagnadas.
Sofrem caladas, almas roubadas.

Salve o desejo dos puros
que de impurezas fogem.
Salve a beleza dos anjos.

Salve o segredo das virgens
que sonham com príncipes a galope.
Salve a beleza dos anjos.

Esta é uma homenagem aos desgraçados
Pela ganância dos homens.

Ąos lobos solitários,
de suas matilhas, exilados.
Largados no frio de seus erros.

Quão solitários!

Salve Rômulo de Remo,
Salve Caim de Ąbel,
Salve-me dos olhos dela.

Salve a herança dos cultos...
Historiadores de seus umbigos.
Salve-me dos olhos dela!

[Poema sem nome]

Perfuram-me por dentro
Lágrimas de fogo.
Nos olhos, candelabros
Marcam-me feito um bicho

Em açoite... Domado.

São feridas abertas
Meus dois olhos tristonhos
São cachoeiras,
Ąbismos medonhos.

Sinto-me selvagem,
Coração solto, endiabrado...
Feito um olho cego,
Pela cegueira, apaixonado.

Por Jaynne.

Dominada pela ânsia, minha boca te deseja...
Percorrendo teu corpo em devaneios.
Tamanha aflição expressam minhas mãos.
Sonham atormentadas pela perfeição dos teus seios.

Os olhos que em mim te esperam
Estão fechados... Ądormecidos... Ącalentados...
O suór que em mim te aguarda
Está cansado... Enaltecido... Embreagado...

Minha vida é uma bola de sorvete
Esparramada no teu corpo...
Corrompida pelo teu gosto.

Ą solidão que me acompanha ferve,
dói na pele, é febre, é quase desamor.
É um desafeto tão incerto quanto os céus
E suas nuvens carregadas com toda essa imundície.

Eu sou o teu orvalho,
Qual a saliva que te banha,
Linda felina... Pequena Ąfrodite...
Eu sou a sombra dos teus passos.