segunda-feira, 4 de julho de 2011

Soneto Cuspido.

Guardo, estático, um riso nostálgico.
Do calor da tua pele branca
guardo em mim, no âmbito
dos meus dedos, um sabor almático

da tua língua tímida. Guardo também
a lembrança dos rios, do cheiro
fervente das barracas típicas,
das mangas cadentes da minha Belém.

Da Belém que me amara com tanta beleza
que me beijava os pés mas me cuspia
na cara, debochada, toda minha alegria

que agora defendo, em minha Fortaleza,
do frio da noite e da inveja do dia,
do cuspe da vida que, morto, vivia.

(Fortaleza, 27/06/2011.)

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